quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Monte Maior sobre o Mondego (ArcosOnline, 2006 - Temas Originais, 2010)

Monte maior sobre o Mondego
Menção Honrosa (Poesia) no Prémio Literário Afonso Duarte - 2004
(Temas Originais, Coimbra, 2010)



(e-book, Arcos Online, 2006)

***

Três Poemas


Jorge de Montemor


Nasce o poema,
a palavra,
a sementeira do verbo,
da música.


Lo deseo,
eres la palabra
susurrada
de todos los ríos.



Tal vez
la palabra amor
.


Talvez
a palavra dor.


Talvez.


Afonso Duarte


Escuto os teus poemas
e sente-se no sangue,
que flui em teus versos,
a voz do teu povo.


O que se ama
porque dele brotámos.


E a palavra mãe.
A palavra filha.
A telha vã.


O aroma da terra
de rosas florindo
e as mãos levando
seus espinhos.


E a palavra como enxada,
sulcando a página,
fecundando cada verso
com os gestos.


Escuto
em teus poemas
o rumor do Mondego.


Repara como dorme em tuas mãos.


Castelo de Monte-Mayor


Acordai,
pedras,
que vos chamo.


Dizei-me
dos segredos e sonhos
das mãos que vos ergueram.


Dessa alta mirada,
de onde olhais para a lonjura,
falai-me
do curvado povo
nos arrozais,
do sereno
ofício do sol,
das lendas
que o Tempo,
em seu lento caminhar,
em vós guardou.


Acordai,
pedras,
que em breve partirei.


Levar-vos-ei comigo
como quem leva um verso
ou uma ave
no olhar.

2 comentários:

jorge vicente disse...

uma ave no olhar és tu, camarada.

muitos abraços
jorge

António Botelho disse...

Adorei este, caríssimo Xavier!
Um abraço!