quarta-feira, 29 de outubro de 2008

[há um mar a navegar]

há um mar a navegar
um imenso mar azul a demandar

ilhas e continentes
rotas de tecidos
e exóticos sabores

caminhos urdidos na face
das ondas
na espuma do sonho

velas enfunadas
pelo vento da esperança de chegar
ou de partir
porque o desejo é partir

fazer do corpo barco
dos membros artefactos
do olhar instrumento náutico
das mãos
cartografia secreta
de paisagens
nunca dantes avistadas

porque há um mar
e um travo de sal na boca
do próprio poema

o que falta
é levantar âncora
sorver a distância
de um só trago

e navegar

1 comentário:

Cientista Poeta disse...

muito boa noite caro Xavier Zarco!
Como vai essa poesia?
À um bom tempo que não dava aqui uma olhadela. Gostei muito deste poema.

Beijinhos
Cientista Poeta