domingo, 7 de setembro de 2008

[É nas mãos que nasce o gesto]

É nas mãos que nasce o gesto.
Este abre-se.
É pleno de desejo em acto de criar.

sábado, 6 de setembro de 2008

[É amplo o olhar que indaga a luz.]

É amplo o olhar que indaga a luz.
Em cada instante se promovem
os mágicos feitos de esboços no
ensejo de serem rosto,
de terem nome.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

[do peso]

do peso
da pálpebra
à leveza
do sonho

dista
somente
o ensejo
do voo

repleto
olhar
por sobre
o mundo

rente
à epiderme
do universo

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

[do mar azul a imensa]

do mar azul a imensa
imersa a voz
onde o poema em pétala
de espuma
branda e branca
se desfaz

e um barco
na origem do desejo
zarpa e rasga e esventra
o hímen das ondas

e as mãos do artífice
que a madeira cinge
ao côncavo do verso
onde brota a argila
a intensa argamassa
fecunda e fértil

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

[do cigarro]

do cigarro
à memória
não longa
é a distância

como a memória
o cigarro
se reduz
à cinza

o vento
espalha-a

a memória
perde-se

terça-feira, 2 de setembro de 2008

[do centro]

do centro
do cosmos

o movimento
estelar

como dança
ritual

da criação

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

[Diro, é o sentir do vazio]

Diro, é o sentir do vazio
correr em torno do ser.
O saber de um rosto ou nome que em
narcísico lago se não
revele. É ter do poente a
ignota mão por onde não
pulula o acto de criar.