Habito esta palavra, este momento
Porque sou da memória afluente,
Galeria de imagens que, pungente,
Recorda-me da vida se me ausento.
Se ganho corpo alado e abraço o vento
Sem passado, futuro, só presente
Porque me abre esse tempo confidente
Esse olhar que me prende aqui. Que alento
Acalento se nada é tudo e pouco
E cada fruto amargo e doce. E sinto
A voragem do tempo incluso em mim
Como âncora, grilhão. Que diro e louco
Este instante em que o verbo como absinto
Se conjuga bebendo até ao fim.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
[habita o teu corpo]
habita o teu corpo
que este será o teu casulo
para que a crisálida
que és
seja águia
desejo de voo rasante
por sobre as águas do teu nome
que este será o teu casulo
para que a crisálida
que és
seja águia
desejo de voo rasante
por sobre as águas do teu nome
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
[há um mar a navegar]
há um mar a navegar
um imenso mar azul a demandar
ilhas e continentes
rotas de tecidos
e exóticos sabores
caminhos urdidos na face
das ondas
na espuma do sonho
velas enfunadas
pelo vento da esperança de chegar
ou de partir
porque o desejo é partir
fazer do corpo barco
dos membros artefactos
do olhar instrumento náutico
das mãos
cartografia secreta
de paisagens
nunca dantes avistadas
porque há um mar
e um travo de sal na boca
do próprio poema
o que falta
é levantar âncora
sorver a distância
de um só trago
e navegar
um imenso mar azul a demandar
ilhas e continentes
rotas de tecidos
e exóticos sabores
caminhos urdidos na face
das ondas
na espuma do sonho
velas enfunadas
pelo vento da esperança de chegar
ou de partir
porque o desejo é partir
fazer do corpo barco
dos membros artefactos
do olhar instrumento náutico
das mãos
cartografia secreta
de paisagens
nunca dantes avistadas
porque há um mar
e um travo de sal na boca
do próprio poema
o que falta
é levantar âncora
sorver a distância
de um só trago
e navegar
terça-feira, 28 de outubro de 2008
[há um barco na distância]
há um barco na distância
dista de mim somente um desejo
o desejo
de regressar
dista de mim somente um desejo
o desejo
de regressar
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
[há que sentir o fogo do olhar]
há que sentir o fogo do olhar
por sobre o tegumento
do cosmos
e saber dominar a nobre arte
dos construtores do silêncio
para que a memória
seja qual templo
onde se festeja
a própria vida
por sobre o tegumento
do cosmos
e saber dominar a nobre arte
dos construtores do silêncio
para que a memória
seja qual templo
onde se festeja
a própria vida
domingo, 26 de outubro de 2008
[há na voz]
há na voz
que surge
vozes
de outros tempos
memórias
que se fundem
e renascem
na voragem
de um poema
que surge
vozes
de outros tempos
memórias
que se fundem
e renascem
na voragem
de um poema
sábado, 25 de outubro de 2008
[Há dor aqui]
Há dor aqui.
Sente-se no traço
com que se perdura
o momento.
Na silhueta esbatida
do poente.
No perdido olhar.
Na estrofe cantada
em cadência e movimento.
Há dor aqui,
no silêncio colhido.
Sente-se no traço
com que se perdura
o momento.
Na silhueta esbatida
do poente.
No perdido olhar.
Na estrofe cantada
em cadência e movimento.
Há dor aqui,
no silêncio colhido.
Subscrever:
Mensagens (Atom)