domingo, 7 de dezembro de 2008

[no casulo]

no casulo
espera

que o vento
te toque
na pele

e abre
amplo
o olhar

para que sintas
da luz
o terno
abraço

de súbito
aprende
célere
a arte
secreta
da respiração

indaga
as asas
e voa

voa
para onde
o desejo
te indicar

sábado, 6 de dezembro de 2008

[Neste cinzeiro, deixo os restos do]

Neste cinzeiro, deixo os restos do
tempo. Talvez espera, esperança ou
somente esta memória de estar
aqui sentado à mesa do poema.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

[Nasce rente ao desejo. Asa o corpo]

Nasce rente ao desejo. Asa o corpo.
A viagem rumo a uma
luz eterna. Enceta
a demanda. Aprende
o ofício
da respiração.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

[nasce]

nasce
o poema

renasce
a palavra

desperta
em sentidos

no ventre
do teu sentido

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

[Nas trovas que canta o vento]

Nas trovas que canta o vento,
há uma voz habitada
de ternura e sentimento;
de poente e de alvorada.

Há uma voz feita cor,
aguarela de sentidos,
onde loucos por amor
andam os sonhos perdidos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

[Nas ondas do mar de Vigo]

Nas ondas do mar de Vigo,
vi Martim Codax cantar
no corpo da barca, amigo,
que baila na voz do mar.

Eu, em Vigo, vi Martim
Codax olhando o mar,
olhando este mar sem fim,
com vontade de embarcar.

E, na rede desse olhar,
vi o corpo da Fortuna:
uma sereia a cantar
no vento que a vela enfuna.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

[não quero bilhete. não quero]

não quero bilhete. não quero
bagagem. quero o vento que
desliza célere dentro de
mim. viajar, não é descolar
o corpo pelo espaço e o tempo,
é estar onde o sonho deseja.