segunda-feira, 14 de julho de 2008

[A orla de teu corpo]

A orla de teu corpo
fim do meu deserto

domingo, 13 de julho de 2008

[A noite estava fria. Trazia um]

A noite estava fria. Trazia um
hálito de dezembro em pleno agosto.
Olhava a seca flor por entre as páginas
do livro e meditava: como é breve
o silêncio quando se abre a vida
como uma persiana para ver
o mundo. O mundo chora como a flor.
Dão-lhe a imagem da morte pela vida.

sábado, 12 de julho de 2008

[anseio]

anseio
sorver
das alturas

o saber
ignoto

o cântico
das estrelas

a magia
de rodopiar
em torno de mim

sexta-feira, 11 de julho de 2008

[Ancestral]

Ancestral,
o poema surge íntegro.
Abraça o silêncio
que habita na memória.
Na construção de um verbo nado eterno.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

[algures]

algures

a mão
trabalha
no ofício
do gesto

para que as palavras
se recolham

uma
a uma

na candura
do verso

quarta-feira, 9 de julho de 2008

[a memória]

a memória
extingue-se

no dizer
breve

da morte

terça-feira, 8 de julho de 2008

[A mão agarra na pedra e]

A mão agarra na pedra e,
sentindo o seu corpo, demanda
a forma oculta como um
ventre fecundo de mulher.