sábado, 31 de janeiro de 2009

[A chuva resignara-se e deixara]

A chuva resignara-se e deixara
de cair, de plantar sobre a terra o
seu perfume. Na sua companhia,
regressei para o ventre de uma nuvem.
E como é belo o mundo quando o olhamos
no mais doce recanto da memória.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

[a boca mineral]

a boca mineral
liberta o grito
na angústia do silêncio

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

[a ave]

a ave
canta

o canto
da árvore

o sol
que repousa

nos beirais
da música

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

[a arte de deus]

a arte de deus
o oleiro do caos
o moldador do caos

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

[a argila]

a argila
espera

a mão
da criação

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

[podes conquistar]

podes conquistar
a liberdade
quebrar os grilhões do templo
onde oras
para um deus incognoscível
e externo a ti

domingo, 25 de janeiro de 2009

[perdido o sonho]

perdido o sonho
há que rumar para a distância
como se sereias
cantassem em teu redor
e no ardil da espuma
a tua própria vida
projectada fosse
para nos remos sentires
a sofreguidão da sorte
como brancos dados
em verde pano lançados