terça-feira, 7 de outubro de 2008

[Erguem-se vozes no voo da]

Erguem-se vozes no voo da
semente. Pungentes, os sentidos
enlaçam-se. Enredam-se. Fina,
ténue teia desvirginando
o útero da palavra.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

[era criança]

era criança
e sonhava

agarrou
o poema

e foi
com as aves

no dorso
do olhar
sem tempo

domingo, 5 de outubro de 2008

EPITALÂMIO

EPITALÂMIO


inventam êmbolos
os corpos
que se descobrem
sob o cobertor da noite

há um segredo
que se partilha
na respiração contida

um momento
em que o olhar se perde
e se revoltam os sentidos
quando demandam o corpo em chamas

e silenciam a dor
de se perderem
por um só instante

sábado, 4 de outubro de 2008

[entre o desejo e o ser]

entre o desejo e o ser
há um sorriso
uma candeia desperta
e pendente
entre a máscara e a face

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

[entre margens]

entre margens
o corpo do rio
como ave
desenhando a fuga
dentro do olhar

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

[entre extremos]

entre extremos
as palavras

promessas
de sentidos perdidos entre o branco
de uma página

em branco

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

[entra no poema como]

entra no poema como
se sulcasses o mar imenso do
desejo. cada palavra
é onda percorrendo
os sentidos que ao intenso
corpo da rocha de tua
memória cinzela a vento, a mar
e a sonho a estátua do momento.