quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

[o corpo]

o corpo
as mãos
um vaso aberto
à descoberta de um sonho

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

[o corpo]

o corpo

o peso
imenso
do corpo

âncora
extrema

cadeia
intensa

onde se oculta
a medo
o viandante
do universo

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

[o coração]

o coração
da pedra

sente
o pulsar

e dá-lhe forma

liberta
o corpo

e dá-lhe um nome

domingo, 28 de dezembro de 2008

[O cinzel do instante]

O cinzel do instante
desliza por sobre a colina
onde a cidade se derrama
como se encostasse
a cabeça
no travesseiro das rochas
e o sol tocasse os ténues cabelos
que ondulam
no dorso do olhar.

sábado, 27 de dezembro de 2008

[Nunca a palavra será árvore]

Nunca a palavra será árvore
desnuda e desprovida de vida. A
palavra é fruto gerado
e gerador. Marco geodésico.
Cordão umbilical.
Potência solar,
enigma, teorema,
força íntima do poema.
Sémen que fecunda o ventre
da própria memória.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

[no ventre]

no ventre
da noite

há um hímen
por romper

uma secreta
vulva

um hirto
clitóris

uma chama
por arder

ou um poeta
perdido

e louco

nos beirais
do tempo

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

[no varandim]

no varandim
do sonho

lança
a trança

por ela
treparei

para em ti
me perder