segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ordálio (Virtualbooks, 2004)


Ordálio
(e-book, Virtualbooks, Brasil, 2004)

***

Três Poemas



Há para cada labirinto
asas de dédalo no olhar

***

Perto da queda, procuro uma
saída, uma Arca de Noé,
por onde as palavras escapem
do vil dilúvio das máscaras.


***

Da olaria cósmica, nem um
cometa pelo céu resta. Só um rastro
perpétuo de uma ogiva
de fogo e sangue e morte.

E um corpo ofióide, que silva
pendente na árvore do saber,
espera que alguém lhe resgate
a maçã que na boca possui.

domingo, 12 de setembro de 2010

In Memoriam de John Lee Hooker (Virtualbooks, 2003)



In memoriam de John Lee Hooker
(e-book, Virtualbooks, Brasil, 2003)

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Três poemas
Foi em Santa Rosa
Que os últimos acordes partilhaste
Com o mundo

Havia
No dedilhar dos bordões
A marca exacta das notas
Que evolavam da guitarra

A magia da cópula desperta
No deslizar do trasto

O desbravar de um orgasmo
Feito de música
Acorde a acorde reatado

***

Se sangue
Corresse em tuas veias
Seria música
Seria blues

Esta seiva fervilhando
Iluminando a lareira
Que surgia em teu olhar
Quando o ritmo
Trepava
Pelas arestas do cosmos
Ao coração das galáxias


***

Do fundo surgia a voz
Vinha do ventre da memória
De um secreto recanto
Onde o sonho germina e indaga o sol
Como se quebrasse
Os grilhões da escuridão
Ensaiando o voo

A voz surgindo como ave
Rumo ao horizonte


sábado, 11 de setembro de 2010

Palavras no vento (Virtualbooks, 2003)

Palavras no vento
(e-book, Virtualbooks, Brasil, 2003)

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Três Poemas
A CLIO

Deixemos, Clio, as margens deste rio,
Clausura de um poema de sentidos.
Saibamos das palavras
Todas de um só desejo.

Vamos, Clio, enlacemos nossos corpos,
Inventemos o amor, a poesia
Como ave que percorre
O caminho do sol.

Façamos deste rio agrilhoado
Corpo da ave que somos, e voemos
Com as asas do amor
Que para nós criámos.


***

a visão

descer
ao fundo

rumar
ao topo

não sei
que caminho

recordo
o quadro

dependurado

na janela
da memória

o grito
edward munch


***

como job
espera

que o teorema
se resolva

qual poema
aberto em flor

ao teu toque
ao teu olhar

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Acordes de Azul (Virtualbooks, 2002)

Acordes de Azul
(e-book, Virtualbooks, Brasil, 2002)
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Três Poemas


O que me resta é tempo. A areia na garganta
da ampulheta presa. Arte de perder
todo o verso, o poema, a poesia
a memória do canto.

O que me resta é escrever
enquanto tempo tenho para percorrer
os recantos da música que há nas palavras
para te deixar um sonho
somente um sonho
e pouco mais.

***

Observo a memória em metáteses
constantes. De súbito, des-
conheço o vivido. O real
é também fruto de um sonho
de um momento em que as pálpebras
se descerram
como cortinas que indagam
o sol, o misterioso
sol que na alma habita.

***

Onde deitaste o silêncio
a extrema morada
se revela. O ofídio
primordial chama por ti,
reclama a tua presença,
habita o teu sonho, o fogo,
reaberto no teu corpo.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

No rumor das águas (Virtualbooks, 2001)

No rumor das águas
(e-book, Virtualbooks, Brasil, 2001)


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Três Poemas


no terno
envoltório

roda

esboça
o gesto

mãos
de sonho

que afagam

a face
do mundo

e sorri

sorri
desenhando
a conquista
que se aproxima
e como sua
sente

***

nas mãos
de sonho

o ritmo
das estrelas

semente
de um verso

***

herdaste
das aves

o canto

não as asas

o voo

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Montemor-o-Velho

Hoje, dia 8 de Setembro, pelas 16h00, na Sessão Solene do Dia do Município, nos Paços do Concelho de Montemor-o-Velho, pela minha obra inédita: "Anotações sobre os olhares no óleo sobre tela 'Retrato de mulher ou le déjeuner' de Manuel Jardim", receberei uma Menção Honrosa do Prémio Literário Afonso Duarte.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Livro dos Murmúrios (Palimage Editores, 1998)

O Livro dos Murmúrios
Palimage Editores, Viseu, Portugal, 1998
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Três Poemas


de súbito
o desejo

marés
de sentidos

percorrendo

oceanos
de ternura


***



das ondas
o murmúrio

esculpido

no ventre
das conchas



***



ícaro
agarra
nas asas
do poema

esboça
o abismo
a queda

mas voa