sexta-feira, 7 de novembro de 2008

[incendiada]

incendiada

a palavra
é um mundo

mãe
que se abre

ao parto
dos sentidos

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

[imagina]

imagina

há nas tuas mãos
argila por moldar

uma forma
que enseja

brotar

sob o teu olhar
criador

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

[imagina]

imagina

e vai
para além
dos sentidos

mergulha
fundo
dentro da alma

regressa
ao útero
ao cosmos

em ti
reside
a linguagem
dual

música
e matemática

sentir
e pensar

a arte
de comunicar
com o universo

terça-feira, 4 de novembro de 2008

[iludem-se]

iludem-se
as mãos

na ilusão
malabar

o movimento

a elipse

não é mais
que o teu destino

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

[hoje abrirei uma janela]

hoje abrirei uma janela
um pouco a medo

a luz extrema poderá
entrar

e cegar
as palavras

todas as palavras

que o sonho
e a vontade geraram

domingo, 2 de novembro de 2008

[havia]

havia
um gesto
a encetar

indagar
o toque
na matéria
disforme

sentir
o pulsar
da vida

na face
da terra

onde o poema
germina

sábado, 1 de novembro de 2008

[Habito o poema. A música]

Habito o poema. A música
do poema. A palavra brilha fértil
seara cintilante
que se descobre em tua alma.